Dra. Valéria Meireles dos Santos Aranha


  XV535

TESTE

 

NATURALIZAÇÃO APROVADA
                Aqueles que sonham com uma moto custom “Made in Brasil”, terão mais uma opção. A Yamaha XV 535 Virago promete agitar o já movimentado mercado da categoria ao passar a ser produzida em Manaus (AM) a partir de março de 1999. Com a “naturalização”, a Virago de 535 cc vem se juntar a sua “irmã” Virago 250, que foi nacionalizada em 1997. Com esta moto a Yamaha ataca diretamente a também nacionalizada Honda VT C Shadow, além de concorrer com a Suzuki, que acabou de “lançar” a Savage LS 650.

Tradição
                A “linhagem” da série Virago existe desde 1982 na Yamaha, quando foi lançada a primeira custom, a Virago 750. Depois vieram as versões de 500 cc e a de 1.100 cc, em 1985. O modelo com motor de 535 cc surgiu em 1988 alcançando grande sucesso. E muitas Virago japonesas foram vendidas no Brasil após a abertura das importações, em 1990, oferecidas por importadores independentes. Em 1994 a Yamaha passou a fazer a importação oficial.
                Avaliada por DUAS RODAS numa viagem teste de 2.000 Km pelo litoral catarinense, a versão nacionalizada da Yamaha Virago XV535 vem com pouquíssimas alterações em relação ao modelo japonês. A mais evidente, além das novas cores e grafismos, é a inclusão de bancos mais espaçosos e confortáveis para piloto e passageiro. O garupa agora conta, inclusive, com um encosto para as costas – sissy bar – que aumenta o conforto e serve para prender bagagens.
                A Virago continua atrativa, cheia de cromados e fiel ao tradicional design das custom americanas. Por isso, lembra as Harley, com o motor “V2” de quatro tempos dominando a moto. Duas caixas cromadas instaladas dos dois lados da moto sob o tanque de combustível reforçam a semelhança com a lendária custom americana e abrigam o filtro de ar e conexões elétricas.
                Os escapes parecem individuais, mas são interligados por um “marmita” equalizadora, debaixo da moto, e lhe dão um certo ar bad-boy. As ponteiras terminam em cortes diagonais, simulando um escape esportivo e aberto.

Boas diferenças
                Pressionado o botão de partida, começam a aparecer as qualidades da Yamaha Virago XV535, a começar pelo som do motor, grave e forte, trazendo a sensação de pilotar um autêntico “V2” refrigerado a ar.                  A moto passa a impressão de ter maior cilindrada mas, apesar do seu porte respeitável, é leve para uma custom (apenas 182 kg a seco). Isso beneficia a pilotagem em trânsito urbano e manobras de estacionamento. A baixa altura do bando é outro  ponto favorável, facilitando até para as garotas que se aventurem com ela – o nome Virago vem do latim e significa “mulher guerreira”. A posição de pilotagem é excelente, com ressalva à localização das pedaleiras, que poderiam estar mais à frente. Mas em compensação, a posição dos pés ajuda nas todas urbanas. Para maior conforto em estrada, acessórios para “avançar” as pedaleiras são disponíveis no exterior e podem ser importados.
                Uma boa diferença em relação às demais custom da categoria á a transmissão por eixo-cardã, um verdadeiro requinte num moto dessa cilindrada – no começo chega a causar estranheza pelo som de engrenagens na parte traseira. O torque do motor, entretanto, é transmitido silenciosamente para a roda traseira, vem rápido e é muito “plano”. Ou seja, está presente em todas as faixas de rotação, com um máximo de 4.8 kgf.m a 6.000 rpm.
                A potência máxima de 46,2 cv a 7.500 rpm pode parecer pouca para os 535 cc mas, para uma custom com baixo peso como a Virago, é o suficiente. Permite mm, o baixo centro de gravidade e a suspensão dianteira “deitada” praticamente “mantém” a moto em linha reta. Para frear, o grande disco dianteiro ventilado com pinça de dois pistões dá conta do recado, progressivamente e sem sustos. O freio traseiro conta com tambor, um pouco “borrachudo”, porém eficiente e capaz de fazer a roda traseira travar se o piloto assim desejar. As rodas são raiadas, calçadas com os excelentes pneus Pirelli MT 66 desenhados especialmente para as custom – ajudando no visual, especialmente da traseira.
                Nas curvas, o piloto sente que “correrias e pêndulos” não são preferência da Yamaha Virago XV535. Suas suspensões “reclamam” dos maus tratos co oscilações de “aviso” especialmente na traseira. Na dianteira, com suspensão de bengalas telescópicas, a Virago é impecável. A balança traseira do tipo oscilante usa o eixo-cardã como elemento estrutural e está apoiada sobre um par de conjuntos de mola/amortecedor reguláveis na pré-carga de suas molas. O quadro Diamond (tipo diamante) também utiliza o motor como elemento estrutural. De qualquer forma, pelas suas reações na estrada e nas ruas, pode-se considerar a Yamaha Virago XV535 uma autêntica custom, com vantagens adicionais de agilidade graças ao seu baixo peso.
                Convencional. Como convém ao estilo custom, a Virago 535 dispõe de um motor quatro tempos com dois cilindros em “V”, refrigerado a ar. Para melhor refrigeração do cilindro que fica atrás, ele está deslocado alguns centímetros à esquerda para “pegar” um pouco de ar frontal quando a moto está em movimento – a mesma solução adotada pelas Harley-Davidson. As aletas de refrigeração deste cilindro são visivelmente diferente do cilindro da frente, dispondo de maior espaçamento para a circulação do ar. Com isso a Yamaha conseguiu deixar a Virago mais parecida com as custom norte-americanas sem Ter que se preocupar em “esconder” um sistema de refrigeração líquida, como ocorre em outras custom. A mecânica da Virago é bastante simples, com duas válvulas por cilindro acionadas por dois comandos simples, um em cada cabeçote, movimentados por correntes independentes.

                Dois carburadores Mikuni de 34 mm alimentam o motor, dispostos entro os cilindros, recebendo gasolina sob pressão de uma bomba elétrica. O câmbio de cinco marchas utiliza o tradicional sistema de embreagem multidiscos em banho de óleo. Convencional, porém robusto e de fácil manutenção.

O lado Hi-tec
                Bem escondido soba a aparência  custom tradicional, está o “lado hi-tec” da Yamaha Virago XV535. Uma das soluções é a utilização de tubo superior do quadro como “caixa de ar”, alargado para essa finalidade, com o filtro de ar escondido sobre a caixa cromada do lado direito da moto. A engenhosa solução também é usada na Virago 250 cc. Com o alargamento do quadro, o tanque de combustível tem sua capacidade reduzida para 11 litros. Mas, a Yamaha reforçou a autonomia da Virago 535 utizando um tanque extra – de “reserva” – embaixo do banco do piloto, onde cabem mais 2,5 litros de gasolina, totalizando 13,5 litros. Como esse tanque está abaixo dos carburadores, uma pequena bomba elétrica funciona constantemente para manter o fluxo de gasolina. Por isso, a reserva de combustível é acionada eletricamente por uma chave no lado direito do guidão, mudando o fluxo da bamba  do tanque principal para o extra. Mesmo assim, como a Virago tem um consumo médio de 17,1 km/litro a autonomia total chega apenas aos 230 km.

Completa
                O painel se resume ao velocímetro, montado sobre uma carcaça plástica cromada, com escala até 180 km/h, contando com hodômetro total e parcial. O farol, também com carcaça cromada, garante boa luminosidade em viagens noturnas. As quatro luzes espia do painel – farol alto, ponto morto, pisca e aviso de reserva de combustível – ficam num pequeno console cromado sob o guidão. No punho direito está o comando elétrico da reserva de combustível, junto com os botões de partida, corta corrente e de iluminação.                  Do lado esquerdo ficam os piscas, buzina e farol alto/baixo. As manoplas são emborrachadas para eliminar vibrações e aumentar o conforto assim como as pedaleiras do piloto e garupa que, além de bem acabadas receberam borracha macia para o maior conforto. O jogo de ferramentas é completo e fica guardado sob o banco do passageiro, trancado a chave.
                Esses muitos detalhes fazem da Yamaha Virago XV535  nacionalizada uma das motos de melhor relação custo-benefício da categoria, com qualidades para complicar a escolha de quem busca uma custom média. A concorrência que se cuide...

Paulo Bambirra - DUAS RODAS nº 279.



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